sexta-feira, 27 de abril de 2018

Informação*


Acatando a recomendação do Conselho da Casa da Filosofia Clínica, decidi interromper as publicações nesse espaço blog. Uma síntese do documento recebido: "(...) Assim sendo, devido a constatação de plágio em artigos publicados por outros profissionais, e também a manifestação em eventos da categoria, onde constam conteúdos dos artigos originalmente publicados no blog "A prática da Filosofia Clínica", sem referência as fontes e autoria, inclusive por parte de pessoas consideradas acima de qualquer suspeita, recomendamos ao prof. Strassburger a suspensão das referidas publicações. (...)". 

Nesse sentido, apesar da suspensão das publicações, informo que continuarei trabalhando para oferecer novos conteúdos, oriundos dos estudos e da prática da Filosofia Clínica, em uma obra que deverá estar disponível (publicada) em 2019. 

Um abraço,

*HS

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Apontamentos Marginais*


O referencial estruturalista, como um dos fundamentos da Filosofia Clínica, se ampara no discurso filosófico de uma tradição ampliada, ou seja, sua trama conceitual serve de anteparo para várias áreas do conhecimento: antropologia, sociologia, medicina, filosofia, literatura...

Nessa direção é possível encontrar autores considerados estruturalistas qualificando sua retórica metodológica em múltiplas direções como: Jacques Derrida na Filosofia, Roland Barthes na Literatura, Michel Foucault na Política, Medicina, Direito, Claude Lévi-Strauss na Antropologia, Sociologia...

Talvez a maior contribuição do estruturalismo, no que se refere a Filosofia Clínica, seja a sua noção de uma totalidade em movimento. Uma estrutura na qual é possível vislumbrar tópicos que conversam entre si, mantém determinada relação (positiva, negativa, mista, indeterminada) a qual se modifica ao longo da vida, em função dos desdobramentos existenciais de cada pessoa.

Roland Barthes contribui: "O objetivo de toda atividade estruturalista, seja ela reflexiva ou poética, é reconstituir um 'objeto', de modo a manifestar nessa reconstituição as regras de funcionamento (as funções) desse objeto. A estrutura é pois, de fato, um simulacro do objeto, mas um simulacro dirigido, interessado, já que o objeto imitado faz aparece algo que permanecia invisível, ou, se se preferir, ininteligível no objeto natural" (Crítica e verdade, 2011).

Um método é pensado, elaborado, aperfeiçoado, para funcionar como um intermediário entre um sujeito e um objeto, no caso da Filosofia Clínica entre dois sujeitos: Filósofo e Partilhante. A partir desse instrumental ou referência teórica, aquilo até então desconsiderado ou invisível ao olho nu das percepções até então consagradas, se mostra num olhar ampliado, qualificando a janela epistemológica até então conhecida, oferecida, às práticas científicas, em nosso caso: Ciências Humanas!

Inicialmente o Partilhante, ao descrever comportamentos, atitudes, pensamentos, através dos exames categoriais, vai preenchendo as lacunas de não saber, que é uma referência inicial do trabalho do Filósofo Clínico. Essa atividade pressupõe observação, escuta, acolhimento, compreensão... como pressupostos preliminares da terapia.    

Um mapa da subjetividade vai se oferecendo ao olhar clínico, tendo como fonte de matéria-prima as narrativas da história de vida, com base noutra matriz de fundamentação teórica que é a fenomenologia, ou seja, uma percepção descritiva (sem interpretação) sobre os conteúdos da fala e expressividade do Partilhante. 

A ideia de um molde como simulacro, concede a oportunidade de acolher o fenômeno da singularidade, levando em conta que o Partilhante, ao mesmo tempo possui uma condição humana universal e uma singularidade que ficaria inacessível, a partir das classificações conhecidas, não fora o reconhecimento e a visibilidade através da noção de estrutura de pensamento, a qual permite enxergar ingredientes até então insuspeitados pela ciência normal. Um exemplo disso: a noção de síndromes ou patologias envolvendo razão e emoção, uma dupla fundamental nas análises e práticas psicológicas, psiquiátricas, psicanalíticas...

O conceito de estrutura de pensamento ampliou significativamente essa janelinha, ao conceder um olhar diferenciado ao fenômeno da singularidade, elencando 30 tópicos estruturais (interagindo entre si), sendo alguns deles predominantes em cada pessoa, alargando os horizontes existenciais até aqui reconhecidos. 

Roland Barthes: "(...) o estruturalismo é essencialmente uma atividade, isto é, a sucessão articulada de certo número de operações mentais" (Crítica e verdade, 2011).

Nesse sentido, pensar os deslocamentos da autogenia, através dos tópicos da estrutura de pensamento determinantes ao devir partilhante, suas causas, funções, a maneira como suas crises e dores existenciais vem se estruturando no seu dia-a-dia, permite ultrapassar os vislumbres da sucessão de assuntos imediatos, enquanto o assunto último permaneceria intocado (favorecendo diagnósticos, prognósticos distanciados da verdadeira causa do sofrimento, somatização...), não fora seu entendimento, acolhimento, tratamento a partir do mapa elaborado na construção compartilhada da terapia em Filosofia Clínica.

(...)

Um abraço,

HS

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Apontamentos marginais*


A noção de estrutura de pensamento, em Filosofia Clínica, possui, como uma de suas bases de fundamentação teórica o estruturalismo. A partir desse referencial é possível entender essa visão ampliada do fenômeno humano, que o novo paradigma oferece, ou seja, concede uma percepção universal (uma forma sem conteúdo) tendo a singularidade (sentido de uma expressividade) como interseção entre a totalidade e a especificidade. Isso acontece a partir e durante o discurso existencial de cada pessoa. 

Se pensarmos na história das terapias, a concepção hegemônica, até meados do anos 1990, com o aparecimento da Filosofia Clínica, era de uma divisão ou fatiamento do fenômeno humano em consciente/inconsciente, razão/emoção, diagnósticos, curas, loucuras...

A compreensão da pessoa a partir de sua historicidade, com sua organização interna singular, concede um olhar que alarga o horizonte existencial, deixando entrever múltiplas possibilidades para existir. Bem depois das tipologias, classificações, medicação psiquiátrica, até então oferecidas como única alternativa a questão existencial em momentos de desestruturação, ainda resta algo na invisibilidade dos rascunhos existenciais 'tratados sob a ótica da cura'.    

Jacques Derrida ajuda a pensar: "(...) o relevo e o desenho das estruturas tornam-se mais visíveis quando o conteúdo, que é a energia viva do sentido, se encontra neutralizado" (A escritura e a diferença, 2005).

Noutras palavras, é possível vislumbrar a ideia de estrutura de pensamento, tendo como pano de fundo seus espaços em branco, os quais poderão ser preenchidos com a chegada de uma pessoa compartilhando suas circunstâncias existenciais, história de vida, sua versão para os eventos que a foram constituindo como um fenômeno irrepetível. Algo incabível num pressuposto metodológico (da tradição) que já traga a priori (antes do seu aparecimento) alguma verdade, desmerecendo a imersão que o sujeito de suas circunstâncias venha a realizar na clínica, como resultante de sua vida até hoje (no caso da Filosofia Clínica). 

Para verificar esse todo (estrutura singular) em movimento, tem-se ao menos duas maneiras de visualização: a) acessar a estrutura de pensamento e a totalidade dos tópicos estruturais, antes de qualquer preenchimento; b) entender os tópicos determinantes a uma pessoa, após a etapa dos exames categoriais, percebendo/sentindo as associações, contradições, e tudo mais que vai surgindo, como resultante das autogenias que a pessoa vai experienciando na clínica. 

Jacques Derrida diz assim: "(...) esse poder de mediação ou de síntese entre o sentido e a letra, raiz comum do universal e do singular " (A escritura e a diferença, 2005).

O ponto de encontro onde a estrutura de pensamento se articula com a singularidade, refaz o casamento provisório entre forma e conteúdo, o qual adquire sua conformação plástica e dinâmica, com o discurso existencial de alguém, qualificando e distinguindo a terapia em Filosofia Clínica. 

Entender a noção de estrutura de pensamento é um fundamento para ampliar a percepção do fenômeno humano, até então prisioneiro de diagnósticos, tipologias, classificações distanciadas da singularidade, por onde cada um se apresenta e reapresenta de acordo com seus desdobramentos existenciais. Um desses lugares onde a vida se anuncia, renuncia, desconstrói, reconstrói, prossegue nas múltiplas possibilidades de suas autogenias, experienciando-se nesses dias por aí.

(...)

Um abraço,

HS