terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Alguns apontamentos (rascunhos) dos primeiros anos*


Continuando então, de uma forma mais ou menos organizada e sem a devida revisão gramatical. Aqui busco uma pequena contribuição para a pesquisa, os estudos, com a minha versão (de quem estava lá). A Filosofia Clínica, do meu ponto de vista, é uma mensagem de amor, fé na vida, libertação, pra começo de conversa.

Uma das curiosidades que chamou a atenção, nos idos de 1997, foi a socialização da internet, momento em que o Instituto Packter teve seu primeiro site e as coisas começaram a mudar, a comunicação com os centros distantes ficou mais ágil, ganhamos um tempo precioso na recepção e correção dos trabalhos, a supervisão escrita, qualificou a comunicação. A Filosofia Clínica estabelecia uma via de acesso às suas mensagens.

Nesse período os professores viajavam todos de Porto Alegre aos centros de formação, por exemplo: Lúcio Packter para São Paulo, Fortaleza, Teresina...Valério Hillesheim para Salvador, Jarbas Bett para Manaus, Margarida Nichele Paulo para Curitiba, Hélio Strassburger para Belo Horizonte, Divinópolis, Florianópolis...

Era comum aos professores, carregar uma enorme bagagem, recheada de: livros, apostilas, gravador (pequeno)... Sim, nessa época, na fase dos atendimentos supervisionados, era comum gravar as sessões e transcrever e compartilhar com um supervisor. Usualmente gravadores pequenos com aquelas fitinhas que se podia encontrar no camelô da esquina.

Acontecia muito das fitas enrolar, a pilha acabar, o Filósofo Clínico iniciante esquecer de ligar o aparelhinho dentre outras peripécias menos votadas. Uma festa! Quando a internet ficou mais acessível aqui no Brasil, tudo melhorou, tivemos acesso aos cd’s para gravar os conteúdos e tudo mais...

Nesse tempo (em 1997) temos o importante lançamento da primeira obra de Filosofia Clínica: o livro Filosofia Clínica – Propedêutica de Lúcio Packter, editado pela AGE de Porto Alegre/RS. Foi um momento marcante, um texto escrito de um jeito leve, com aspecto introdutório, essencial até hoje!

No ano de 1999 tivemos o primeiro encontro nacional de Filosofia Clínica. Aconteceu na praia dos Ingleses em Florianópolis/SC, com a participação de cerca de 90 Filósofo de vários centros do Brasil. Junto com os colegas históricos da ilha da magia, tive o privilégio de lutar junto adireção do Instituto, para que o evento acontecesse. A resistência de parte do grupo era grande! Depois se entendeu que era chegada a hora de nos encontrarmos com mais frequência, para trocar estudos, pesquisas, publicações, rever os amigos e colegas desse enorme país. A data estabelecida era no início de maio, como referência e que os colegas pudessem se organizar com alguma antecedência.

Esses encontros tiveram sua fase de sucesso até meados de 2005/2006, quando as coisas começaram a mudar. Alguns preferiram aulas virtuais, clínica virtual, vida virtual!? Nessa época começam a surgir os Colóquios, ainda em Minas Gerais, especificamente em Juiz de Fora/MG, depois em São João del Rei/MG, agora em Porto Alegre/RS e em breve em Petrópolis/RJ, como forma de firmar a posição e a ideia original dos encontros, sua filosofia de contato olho no olho, cara a cara, imprescindível para nossa área de atuação. Volto à esse tema mais tarde...

Um fato curioso desse primeiro encontro nacional em Florianópolis: os queridos alunos Zé Colmeia e Barão, codinomes pelos quais gostavam de ser chamados, atravessaram o país num fusca 1.200, ano 1960/61 se bem me lembro... Na bagagem muitos sonhos, buscas... Perdemos o Barão (José Valdivino) há poucos anos, quando trabalhava em Contagem/MG, se a informação que tenho está correta. Um querido amigo e colega, poeta e sonhador de Divinópolis/MG.

Outra curiosidade dessa época: por ocasião do primeiro encontro nacional na ilha da magia, teve uma cerimônia de abertura na universidade federal de Santa Catarina. O debate de abertura, sim foi um debate, quase um embate do coordenador do curso de Filosofia Renato Machado, especialista em Wittgenstein e Lúcio Packter o pensador da Filosofia Clínica. Quiprokós à parte, dentre mortos e feridos salvaram-se todos!

Cerca de 2/3 anos depois, eu ainda era o professor em Florianópolis, as aulas aconteciam no bairro Estreito no continente, no Hotel Bruggeman, que cedia a sala de aula e o lanche da manhã e tarde. Destaque-se que o lanche era o mesmo servido aos hóspedes, ou seja, um café cinco estrelas... saboreávamos a fartura da cozinha alemã com cucas, bolos, docinhos, salgadinhos, sucos... no intervalo das aulas. Suspeita-se que alguns alunos frequentavam o curso pelo lanche dos intervalos, a sala estava sempre lotada!

Mas não era disso que queria falar, ia dizendo da surpresa de, após os debates na UFSC na abertura do evento em 99, eis quem surge para estudar Filosofia Clínica: o professor Renato Machado, coordenador da Filosofia.

Logo firmou-se uma interseção positiva com todos, inclusive Renato Machado falou num encontro nacional, se bem me lembro foi em Vitória/ES, com o tema: Aproximações de Wittgenstein e a Filosofia Clínica.

O segundo encontro nacional de Filosofia Clínica aconteceu em Belo Horizonte/MG, no ano de 2000, no mês de maio. Um evento gigantesco, envolvendo o maior número de participantes em encontros e colóquios de Filosofia Clínica, cerca de 200 representantes de todo país. Uma babel de sotaques, cultura, manifestações artísticas, poesia, musica...

Nesse mesmo período (2000/2001) acontecia o primeiro encontro mineiro em Divinópolis/MG. Os registros da época estão nas fotos, onde se vê colegas queridos, dos primeiros tempos da Filosofia Clínica. Um tempo que não volta, mas permanece continuando!

Continua (...)

*HS