domingo, 4 de junho de 2017

Breves notas dos primeiros anos (rascunhos)*







                

A noção de estrutura de pensamento é essencial para se entender sua base teórica de cunho estruturalista e, para a compreensão da singularidade como resultante da interseção tópica (fluxo e teor de animação subjetiva e desdobramentos objetivos). Em Filosofia Clínica é fundamental visualizar os tópicos estruturais em movimento. Seus deslocamentos verticais, horizontais, periféricos, centrais... As transposições de um lugar para outro, bem assim as repercussões externas ou internas. Uma dialética se apresenta, nem sempre em conformidade com a geografia interna do sujeito partilhante.

Esse aspecto de ter a estrutura de pensamento uma característica relacional, por excelência, permite, através do aprofundamento de seu estudo, tendo como ponto de partida os exames categoriais, esboçar, sentir, perceber, as origens, estadias, roteiros, escolhas e muito mais. Esses eventos se destacam como uma marca da singularidade em seus trânsitos pela vida.

O aspecto externo da malha intelectiva, seja estruturada ou desestruturada, permite acessar, também no discurso objetivo cotidiano, as fontes de inspiração ao jeito de ser e existir de cada um. A estrutura física, suas consonâncias e dissonâncias, as atitudes e gestos como resultante dos encontros, desencontros, reencontros dos tópicos essenciais, inclusive fustigados ou seduzidos pelas periferias de si mesma.

Nem sempre há coerência ou integração entre a estrutura visível e a estrutura invisível. Assim, ao dar nomes àquilo que é preponderante no ser subjetivo, se busca mapear as interferências, sobreposições, agendamentos... Os significados para a vida da pessoa, quando trata de refletir-se no território interno, vivenciando ideias, sentimentos, pensamentos, sonhos...

Nesse sentido a metodologia da Filosofia Clínica, como eu a compreendo, em sintonia de acolhimento, cuidado e atenção à singularidade que vai aparecendo e acontecendo como resultante dos atendimentos é uma abordagem aberta, um paradigma impregnado de reciprocidade e atenção ao outro e á este outro do outro que sou eu. Mas isso não é tudo, existem tantos pressupostos quantas pessoas no planeta, esse componente está previsto no novo método, nesse rascunho se tem uma breve introdução ao tema.

Talvez por isso hoje, apesar dos escassos vinte e poucos anos de existência, a Filosofia Clínica já possua outras escolas (dentro da mesma fonte de inspiração metodológica) com abordagens ampliadas. Diferenciadas dos primeiros escritos de fundamentação teórica e, principalmente, fundamentação prática, pelo fato de muitas pessoas encontrarem nessa abordagem uma sistematização para aquilo que já eram, sentiam, faziam, existencialmente.  

Quanto as dialéticas da estrutura de pensamento, apressadamente batizadas (por algumas pessoas) de consciência, possivelmente como um desconhecimento do alcance e fundamentos do novo paradigma, é preciso deixar registrado não se tratar aqui de uma derivação das metodologias tradicionais, mas uma ruptura!

Noutras palavras, você pode alcançar as lonjuras indistintas, periferias, subsolos ainda sem nome e constituintes da pessoa, através do construto metodológico da Filosofia Clínica. Um dos fundamentos para se entender esse pressuposto é o conceito de intencionalidade de John Searle (Intencionalidade, Expressão e Significado, Redescoberta da Mente...); outro é a fenomenologia de Edmund Husserl e Merleau-Ponty, para qualificar o estudo, a análise, a pesquisa sobre essa estranha e inédita singularidade que se apresenta diante desse outro que sou eu.

(...)

Um abraço,

HS