segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Breves notas dos primeiros anos (Rascunhos)*


Quando uma pessoa usa informalmente um submodo, identificável na narrativa de sua historicidade, contada ano a ano, evento a evento em versão própria, num tempo e lugar de seu conforto, é possível utilizá-lo na fase mais avançada da atividade clínica, buscando desconstruções, reconstruções...

Um desses casos é a informação dirigida, quando a pessoa expõe suas preferências por alguma forma de esteticidade seletiva como: cinema, literatura, musica, teatro... A partir daí, com base nos exames categoriais e a estrutura de pensamento bem apontada, é possível selecionar uma obra para se passar determinada mensagem, a qual ficaria empobrecida de outra maneira.  

Alguns Partilhantes, pela natureza e funcionamento da sua estrutura de pensamento, possuem enorme dificuldade em acessar mensagens diretas do Filósofo Clínico, amigos, familiares, colegas... preferem (mesmo que não o saibam) uma mediação através de um filme ou uma indicação de leitura, por exemplo.

A hipótese de se trabalhar as questões existenciais com informação dirigida são tantas quantas as pessoas envolvidas no processo. Para cada estrutura de pensamento que possa acolher um determinado item de sua farmácia subjetiva, existe um caminho para oferecer o procedimento clínico.

Quando bem orientado e de acordo com a autogenia que se busca qualificar, a informação dirigida pode dizer algo até então interditado pelo Partilhante. Se o significado for excessivamente agressivo, nesses casos, deve-se utilizar um submodo intermediário para acessar, expressar, compartilhar, indicar alguma ideia ou contribuir para a formulação de hipóteses, experimentações...

No caso de filmes para qualificar autogeniasexemplo 1: Avatar – James Cameron. EUA. 2009; exemplo 2: Dança com lobos. Kevin Costner. EUA. 1990. exemplo 3: Desconstruindo Harry. Woody Allen. EUA. 1997.

Algumas obras escritas também podem facilitar o envio de mensagens de forma indireta: exemplo 1: Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres. Clarice Lispector. Ed Rocco. RJ. 1969; exemplo 2: Sobre o nomadismo. Michel Maffesoli. Ed. Record. RJ. 1997.

Outros textos podem sugerir trabalhar buscas, o que acha de si, axiologias e suas interseções, como: Ecce Homo de Friedrich Nietzsche. Ed. LP&M. Porto Alegre. 2003; A mulher de trinta anos. Honoré de Balzac. L&PM. Porto Alegre. 1999.

Aqueles que concedem uma interseção com a categoria tempo e seus desdobramentos subjetivos e objetivos na estrutura de pensamento como: Histórias do tempo. Lya Luft. Ed. Mandarim. SP. 2000 ou O instante eterno. Michel Maffesoli. Ed. Zouk. SP. 2003.

Evidenciando a categoria lugar: O diário de Florença, Rainer Maria Rilke. Ed. Nova Alexandria. SP. 2002 ou Lugares Mágicos – os escritores e suas cidades. Fernando Savater. Ed. L&PM. Porto Alegre/RS. 2015.

Ainda para acolher, entender e qualificar a interseção entre tópicos estruturais como: O que acha de si, como o mundo parece, papel existencial, epistemologia, busca e suas derivações...: Quando fui outro. Fernando Pessoa. Ed. Alfaguara. RJ. 2016.

A lista é interminável! 

Nos meus livros, desde o primeiro impresso em 2007 (Poéticas da singularidade), procuro agregar, além do referencial bibliográfico, uma sugestão de filmografia, para qualificar estudos e leituras da Filosofia Clínica.

No entanto, sem uma correta adequação à estrutura de pensamento (singularidade) que se busca trabalhar, isso tudo pode nada significar ou, ainda, oferecer à pessoa o contrário do que se deseja.

(...)

Um abraço,

HS