terça-feira, 26 de setembro de 2017

Breves notas dos primeiros anos (Rascunhos)*


Quando você vai ao cinema, teatro, lê um livro ou joga conversa fora com os amigos numa mesa de bar, dependendo da interseção, conteúdos, oportunidade desses encontros, isso pode caracterizar uma clínica informal.

Informal por não possuir os ingredientes fundamentais para uma terapia mais elaborada, com os cuidados e especificidades que essa abordagem reivindica, quando tratada de acordo com a singularidade Partilhante.

Essa arte da construção compartilhada pode ser exercitada com duas ou mais pessoas, as terapias de grupo, os eventos esportivos, sociais, políticos, educacionais (a sala de aula), por exemplo, são alguns desses instantes onde a raridade dos encontros se desdobra em acréscimos aos novos olhares, escutas, falas...

O cinema é um caso dos mais interessantes, por sua aptidão de convidar sedutoramente, para uma viagem por seus enredos. Quando a película for adaptada às questões específicas que se deseja trabalhar, costuma ser um importante aliado da clínica do Filósofo. O contrário disso não é verdadeiro.

Um texto (crônica, poema, romance..) que contenha aspectos significativos à pessoa, pelo qual é possível dizer coisas que ficariam desmerecidas se ditas diretamente, também pode ajudar. Aqui se deve lembrar que o Filósofo, quando utilizar um procedimento dessa natureza, deve cuidar, preliminarmente de qualificar a interseção com o Partilhante, efetuar os exames categoriais e elaborar uma competente estrutura de pensamento.

No que se refere ao teatro, os Gregos há mais de 2.000 anos atrás, já sabiam do impacto que os artistas no palco, causavam na plateia. Essas ao assistir uma peça e regressar para seu convívio familiar, o mundo do trabalho, os amigos, retornavam modificadas pelo impacto do evento.

Nesse sentido é possível entender como alguém vai ao cinema e, dependendo do conteúdo e alcance do roteiro em sua malha intelectiva pode sair da sala num processo autogênico, por onde uma transformação pode acontecer, ter desdobramentos em seu dia-a-dia.

Em Filosofia Clínica, quando isso acontece, trata-se de uma conjugação de procedimentos como: roteirizar, deslocamentos, recíproca, experimentação, autogenia e construção compartilhada, pra começo de conversa. No entanto tem mais, muito mais...

Nesse momento cabe lembrar que os tópicos da estrutura de pensamento e os submodos, quando associados, se multiplicam, superando facilmente a matriz inicial. Assim, um Filósofo Clínico atuante e com uma rotina robusta de atendimentos, depois de alguns anos de prática e teoria, poderá com incerta facilidade, desenvolver novos submodos, oferecer algo mais aos seus Partilhantes, sempre respeitando suas buscas e necessidades estruturais.

(...)

Um abraço,

HS